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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

São Paulo , "São Solidões".


"Apaulistanados" , esnobam pessoas de cidades pequenas, de outras cidades, de outros estados, enfim... Porque pessoas pequenas adoram fugir para cidade grande?

Desculpem adoradores de São Paulo e blasfêmios do povo gentil e honesto do interior, mas..sabe..nenhum Shopping Center satisfaz meu coração.

Então fico aqui , com minha poesia, meu violão, meus amigos de infância, meus "bom-dias" ao jornaleiro, ao caixa do mercado, meu livro na rede no silêncio do meu bairro , da minha rua , da minha gente... Deus como é bom ser livre!

Sartre dizia que o homem está condenado á ser livre, era ateu o tal francês, mas Deus é quem deu a liberdade diria Santo Agostinho e talvez minhas Avós na genialidade de suas simplicidades.
Para quem não pensa, ou é vazio, Deus deu a liberdade de acreditarem no mundinho que se erguer á sua frente...se erguem vários que em verdade são o mesmo e esse povo vai vivendo.

Vivendo?

A resposta para a pergunta é letal, só é dada pouco antes da morte, e talvez seja esta resposta que finda a "vida".


João.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Acenos.



O que medirá a distância
nestes dias sem medidas.
O caminho é longo para quem não
está cansado.
O caminho não existe para quem já se cansou.


E Prefere uma varanda á espera no novo sol que apontou...
Não sei mais se saberei dizer “Adeus...”
ou se deveria, ao menos, acenar.
Se as marcas ficaram
Isso não quer dizer que você sempre estará?

Aqui...

Aqui, um vazio a mais.
E essa vida que muda tanto.
E eu parado querendo que o tempo não parasse
Sequer posso mudar as nuvens
desenhadas nos céus da cidade.
Eu e minha vida de equilibrista.
Neste meio-fio extenso, liso de lágrimas.
Cada instante provado , vivido
É raro, é quase uma primavera.
Mas as flores vivem morrendo e não acenam na despedida



João.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Falsa revolução (Gente reacionária de merda).







Uma sala arrebentada.
Vasos quebrados, quadros rasgados.
Alguém travou uma guerra aqui.

Sofás e tapetes imersos.
No piso alagado pela porta aberta,
que criou esta tormenta dentro de ti.

Quantas pessoas são você?

Quantas pessoas são você?

Acorda e não consegue entender.
Quem ao certo desperta para o novo dia.
Fugindo do horror de reconhecer-se , de saber quem é.
Um bandido, um monstro preso em corpo de mulher.
O ditado diz que tudo volta e essa onda não te deixará em pé.

Suas máscaras cairão com uma lágrima de dor.
Sacrificará os romances lidos.
Desprezará poesia ou dela será fingidor.
Na loucura do real, ignorando a intuição.
Envolveu-se em jogo sujo,
trapaça de quebrar coração.

Uma vida que não muda.
Você parte e nas malas leva cicatrizes abertas.
Trocou o dedo em V de amor e paz, quando
ao amante mais leal declarou guerra.
Mentir frente ao espelho é mentira que se erra.
Banhos frios não resolvem mais.
Você ficou p´ra trás.
Seu tempo agora é velho.
Você e nada volta mais.
Mente, diz que está tudo bem, que atravessou o inferno.
Minta também sobre seus sonhos.
Diga que isso é tudo o que se pode sonhar.
Minta sobre o peso nos ombros.
Diga que sabe, que pode voar.

Quantas pessoas são você?

Quantas pessoas são você?



Suas máscaras cairão com uma lágrima de dor.
Sacrificará os romances lidos.
Desprezará poesia ou dela será fingidor.
Na loucura do real, ignorando a intuição.
Envolveu-se em jogo sujo,
Trapaça de quebrar coração.



João.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O vício de cismar.



Será que agora,
alguém lá fora,
ainda pensa em mim?


Se eu for embora agora,
nesta hora em que seus olhos estão fechados,
você acordaria sentindo falta?
A dor da ausência tomaria conta de ti?


Ou nada disso.
O contrário.
No teu calendário,
só mais um dia passado.
Um dia comum,
Ainda lembrará de nossas datas?
Ou guardará somente as senhas,
que precisa digitar?

E por que hoje é tão forte
aquilo que um dia certamente
não vai mais existir?
E se existir p´ra sempre.
Como eu faço p´ra esquecer?
E se o ditado estiver errado e a morte
não me deixar separado?

Será pecado tanto apego?
Esse mergulhar em paixão.
Será que Deus me perdoaria
por um dia deixar minha vida
em suas mãos?
Isso é vida vivida em vão?

Não quero mais a razão.
Quero o demasiado humano.
Quero um dia quente pra dividir o teu banho.
Quero ser mais animal, menos gente.
P´ra que de noite eu possa contar
aos meus sonhos livres,
os meus devaneios de prazeres insalubres.


João.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Não aceitamos devoluções.




Não, eu não tenho todo poder sobre mim,
Quantas vezes eu tentei e não me convenci.
De que a vida é um presente de escolhas feitas por mim.



Sim, admito o destino, te entreguei até o meu íntimo,
Na vil esperança de ser escolhido e não foi assim.

Em papéis coloridos escrevia o sentido,
como um diário, um simples registro
de tudo que havia acontecido, não, não plantei sorrisos
E teu olhar, então sem visão,
hoje é o coração de quem um dia disse “não”.
Não iria mudar, por conta de uma ilusão.
Nem se entregar á um peito em construção.
No meu peito, uma multidão, de pensamento,
entoando tormentos, em procissão.

Decidi que não dava pra viver assim.
Busquei a mais alta montanha.
Não p´ra ver como tudo é tão pequeno,
Mas p´ra sentir a grandeza do eterno,
Lá de cima pude ver o que realmente importa.
O sentimento maior que esteve em minha porta,
quando não quis abrir, ou que não ouvi á porta chamar
pelo meu nome, em outro lugar,
quando tive coragem,e porta destranquei ,
era tarde demais , nada encontrei.

E num dia de sanidade sob um Ypê sem folhas,
Pude então, descobrir, que a vida não é feita de escolhas.

Não, não escolhi nascer.
Não escolhi viver assim.
Não escolho palavras pra escrever.
É um rio onde não há vida que corre dentro de mim.
Sem ter onde desaguar, e, procurando mar, fez barragem e inundou.
E assim meu pranto que jamais secou,
nos olhos meus vertem nascentes de lágrimas de dor.

Não escolhi sentir tudo o que sinto.
Não aceitei me perder no teu labirinto.
E dentro de ti.
Sem saída estou perdido.
Não escolhi morrer, e não ter medo disso.

Sequer escolhi, decidir o que preciso.
E eu não preciso.


João

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tempos de paz.(palavras de um homem muito jovem p´ra morrer mas, velho p´ro Rock And Roll)




Eu estou muito cansando de carregar tanto passado.
De escrever cartas de despedida.
de lembrar da lágrima corrida (...)



Não tenho saudade do que passou.
Tenho saudade de ser quem eu era.
Mas sei ser um bom ator, e, por falar em amor,
eu me convenço de que me arrependo
do que fiz e do que não fiz.

Primeiro sentia que deveria ter vivido em outro tempo.
Talvez no passado, quem sabe no futuro, no catálogo de décadas que invento.
Mas sou prisioneiro de mim mesmo.
Por mistificar o jovem de ontem,
Paga o homem de hoje,
por mendigar lembranças de horizontes,
paga o homem de hoje,
como se fosse possível ser feliz naquela idade,
e quanto envelheci p´ra entender felicidade .*

Ah! Eu não quero mais.
Ah! Eu não sou capaz de te lembrar e fazer...
...você sofrer...(não faz sentido ser feliz com isso.)

Ah! Eu quero é paz...
não me venha com o que dizem os jornais,
porque eu preciso demais pensar em mim.
Cantar as músicas do sim, e admirar meu coração
mesmo que a vida ou o tempo digam: Não!

Com cabelos molhados estou limpo.
Eu sei, só não admito,
que saber ser o que sinto só seria possível...
se soubesse sentir.
E a verdade está no devir,
Preciso preparar o meu jardim
Tenho uma flor nova para plantar
A mesma flor de sempre que só troco de lugar.
A flor que me acena ao longe quando desce do carro,
E eu patético poetizo lhe sorrindo com meu cigarro.

Flor que me faz pecar , perder a razão,
Não é traição a si mesmo tanto querer.
Não faz diferença se isso não se resolver.
Eu só não espero.
Eu só não espero mais.
Eu só não espero.
Eu só não espero mais.
Eu só não espero



João

(* o termo felicidade é usado como “satisfação” , já que me baseio no princípio de Schopenhauer de que a felicidade é apenas um estado transitório e ilusório, por isso mesmo considero a paz interna o maior bem a ser almejado pela raça humana)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Todo dia de paz é apatia.




Quando penso em você.
Muitas perguntas não deixam que eu durma.
Uma vertigem e não me sinto bem.
Depois de tanta força eu me cansei.
E se nada puder te libertar,
não quero a liberdade presa em seu olhar.

Eu só quero saber :
Quanto tempo mais dura essa espera por você.

Todo dia é dia de paz e apatia.
Todo dia é dia de paz e apatia.

O tempo está passado.
Teu olhar intenso agora é incomodado.
E você ainda esperava que era isso que eu esperava?
Não , não era somente estar errada essa caminhada,
era fertilizar as flores que não cheiravam,
era cicatrizar feridas que não sagravam,
era sua infertilidade aos sonhos que se sonhavam,
e é tua frieza que nos transformaram.

Por muito tempo eu sei que tentei esconder,
as lágrimas que há tempos estavam guardadas por você.
São só palavras confusas e sem “porquê”.
Soluços que você não quis ou não pôde entender.
Não uso mais o seu olhar para escrever.
Serás sempre singular.
Isto é o que te faz diferente,
só não se diga que não mente,
e se um dia inventar para si alguma mentira,
não chore, use de sua ironia,
todo dia é dia de paz e apatia.

Todo dia é dia de paz e apatia.
Todo dia é dia de paz e apatia.




João.